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Ferrugem do araçá-boi: Embrapa alerta para aumento da doença em plantios comerciais

Imagem: Divulgação

A Embrapa Amazônia Ocidental publicou o Comunicado Técnico 180, alertando produtores, técnicos e viveiristas sobre o avanço da ferrugem do araçá-boi, doença causada pelo fungo Austropuccinia psidii. Até pouco tempo considerada rara, a enfermidade tem aumentado significativamente em áreas de cultivo comercial da espécie.

O araçá-boi (Eugenia stipitata) é uma fruteira nativa da Amazônia, bastante apreciada pela população e utilizada em sucos, geleias, sorvetes e outros produtos processados. Apesar da popularidade da fruta, a cultura ainda é explorada sobretudo em pomares domésticos, com poucos plantios em grande escala.

Aumento da ferrugem em cultivos comerciais

Segundo a Embrapa, o aumento da doença ocorre principalmente quando o araçá-boi é cultivado próximo de outras mirtáceas suscetíveis, como goiabeira, jabuticabeira e jambeiro-amarelo — hospedeiros naturais do mesmo fungo.

A ferrugem afeta principalmente tecidos jovens, provocando:

  • morte de brotações recém-emitidas;
  • queda de folhas jovens;
  • aborto de botões florais;
  • queda de frutos jovens;
  • morte de ramos;
  • definhamento geral da planta.

Sintomas da doença

Os primeiros sintomas aparecem nas brotações novas, que escurecem e morrem logo após a infecção. Nas folhas jovens surgem manchas cloróticas irregulares, que evoluem para necrose. Em ramos, folhas e frutos, observam-se pústulas amarelo-ouro características do patógeno.

Nos frutos, as lesões tornam-se escuras e profundas conforme o desenvolvimento da doença, podendo sofrer agravamento por infecções secundárias de Colletotrichum gloeosporioides.

Etiologia

O fungo Austropuccinia psidii produz urediniósporos de coloração amarela e formato piriforme. O vento é o principal agente de dispersão. Trata-se de uma doença policíclica, capaz de causar surtos repetidos durante o ano sempre que houver tecidos jovens e condições ambientais favoráveis.

Não há fungicidas registrados para a cultura

O araçá-boi é classificado como “minor crop”, ou seja, cultura com suporte fitossanitário insuficiente. Por isso, não existem fungicidas registrados no Ministério da Agricultura para o controle da ferrugem nesta espécie.

Alguns produtos usados em goiabeira são citados na literatura como eficazes contra o patógeno, mas não possuem registro para aplicação em araçá-boi — o que impede seu uso legal.

Medidas recomendadas pela Embrapa

A instituição orienta produtores a adotar práticas culturais para reduzir a incidência da doença:

  • coletar sementes apenas de plantas saudáveis e sem sintomas;
  • instalar pomares longe de mirtáceas suscetíveis;
  • consorciar o araçá-boi com espécies não hospedeiras;
  • realizar podas e desfolhas para melhorar a ventilação e incidência de luz;
  • remover e substituir plantas gravemente afetadas;
  • evitar excesso de adubação nitrogenada;
  • manter adubação equilibrada conforme análise de solo.

Essas práticas reduzem a pressão do patógeno e ajudam a manter os pomares produtivos.

Fonte: Embrapa Amazônia Ocidental – Comunicado Técnico 180 (Dezembro/2025).

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