O tambaqui e o matrinxã, duas espécies de grande importância para a pesca e para a alimentação na Amazônia, estão entre os peixes de água doce que enfrentam pressão sobre suas populações naturais. O cenário chama atenção para a necessidade de fortalecer ações de conservação e manejo dos recursos pesqueiros da região.
As duas espécies possuem grande importância econômica e cultural para comunidades amazônicas. Além de integrarem a alimentação da população, também movimentam cadeias produtivas relacionadas à pesca, comercialização, turismo e aquicultura.
Tambaqui é uma das espécies mais importantes da Amazônia
O tambaqui (Colossoma macropomum) é considerado uma das principais espécies de peixes da região amazônica e possui forte presença tanto na pesca quanto na piscicultura.
A espécie também apresenta importância ecológica. O tambaqui utiliza frutos e sementes provenientes das florestas inundáveis como parte importante de sua alimentação, participando da dinâmica entre os ambientes aquáticos e terrestres da Amazônia.
Estudos sobre a pesca amazônica já identificaram sinais de pressão sobre estoques naturais de espécies de grande importância comercial, incluindo o tambaqui, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo e medidas adequadas de manejo.
Matrinxã também sofre pressão sobre os estoques
O matrinxã, nome utilizado para espécies do gênero Brycon encontradas na Amazônia, também possui grande importância comercial e é bastante apreciado pelos consumidores da região.
A espécie é capturada pela pesca comercial e artesanal e também é produzida em sistemas de aquicultura. Pesquisas acadêmicas destacam sua importância econômica e o impacto que a captura desordenada pode provocar sobre populações naturais.
Pesca e conservação
A pressão sobre os estoques pesqueiros pode estar relacionada a diferentes fatores, incluindo aumento da atividade pesqueira, captura de indivíduos jovens, alterações ambientais e degradação dos habitats utilizados pelos peixes durante seus ciclos de alimentação e reprodução.
Por isso, pesquisadores e órgãos ambientais defendem o fortalecimento do monitoramento das populações, da fiscalização e das medidas de manejo que considerem as características de cada espécie e de cada bacia hidrográfica.
Importância da pesca sustentável
A conservação dos peixes amazônicos depende também da adoção de práticas de pesca sustentável. O respeito aos períodos de defeso, aos tamanhos mínimos de captura, às áreas protegidas e às regras estabelecidas pelos órgãos ambientais é fundamental para permitir a renovação dos estoques.
Outra estratégia importante é o desenvolvimento da aquicultura de espécies nativas. A criação controlada de tambaqui e matrinxã já possui relevância econômica na região e pode contribuir para reduzir parte da pressão exercida sobre as populações naturais, desde que realizada de acordo com critérios ambientais e sanitários.
Preservação dos rios é essencial
A conservação das espécies não depende apenas do controle da pesca. A proteção dos rios, lagos, igarapés e áreas de várzea também é fundamental para garantir os ambientes utilizados pelos peixes para alimentação, crescimento e reprodução.
O cenário reforça a importância de políticas públicas voltadas à conservação da biodiversidade aquática amazônica e ao uso sustentável dos recursos naturais, garantindo a manutenção dos estoques pesqueiros e das atividades econômicas que dependem deles.
Fonte: Folha BV
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