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Ceará terá primeira fábrica de curativos feitos com pele de tilápia

O município de Jaguaribara, no Vale do Jaguaribe, no Ceará, receberá a primeira planta industrial do Brasil voltada à produção de curativos de pele de tilápia liofilizada. O empreendimento é resultado de uma parceria entre o Governo do Estado do Ceará e a empresa BIOTEC Medical Xenograft Engineering.

O projeto pretende transformar um subproduto do processamento da tilápia criada no Açude Castanhão em um insumo utilizado na área da saúde, unindo inovação biotecnológica, reaproveitamento de resíduos da piscicultura e geração de empregos.

Investimento supera R$ 52 milhões

De acordo com informações da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE), o empreendimento prevê investimento superior a R$ 52 milhões ao longo de três anos.

A instalação da fábrica deverá movimentar a economia de Jaguaribara e aproveitar as peles descartadas durante o processamento dos peixes produzidos na região do Açude Castanhão.

Fábrica poderá gerar 300 empregos

A previsão é que a unidade industrial amplie gradualmente o número de postos de trabalho. No primeiro ano, estão previstos 120 empregos diretos. No segundo ano, a expectativa é chegar a 204 trabalhadores e, no terceiro, alcançar 300 empregos diretos.

Além dos empregos gerados diretamente pela fábrica, o empreendimento poderá movimentar atividades relacionadas à piscicultura, logística, processamento, pesquisa, tecnologia e cadeia de fornecedores.

Produção inicial será de 180 mil peles por mês

A capacidade inicial da fábrica está estimada em 180 mil peles processadas por mês. A projeção é alcançar 400 mil unidades mensais no terceiro ano de funcionamento.

Com o aumento da produção, a expectativa de faturamento anual também deverá crescer, passando de aproximadamente R$ 58 milhões para cerca de R$ 130 milhões, segundo projeções da SDE.

Produto poderá chegar ao mercado internacional

A BIOTEC pretende destinar aproximadamente metade da produção ao mercado internacional. A expectativa é que os curativos possam chegar a hospitais e redes de saúde das Américas, Europa e Ásia.

A iniciativa coloca o Ceará no desenvolvimento de uma tecnologia de biomateriais com potencial de utilização em diferentes mercados e amplia as possibilidades de aproveitamento econômico da cadeia da piscicultura.

Pesquisa foi desenvolvida pela UFC

A tecnologia utilizada nos curativos foi desenvolvida a partir de pesquisas científicas realizadas pela Universidade Federal do Ceará (UFC), por meio do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos.

O produto é destinado principalmente ao tratamento de feridas e queimaduras graves. O processo envolve a liofilização da pele da tilápia e a esterilização por radiação gama.

Como funciona o curativo de pele de tilápia

A liofilização é uma técnica utilizada para retirar a umidade do material, preservando suas características durante o processamento. Após a esterilização, o produto poderá ser armazenado em temperatura ambiente e reidratado com soro fisiológico antes da aplicação clínica, conforme as informações divulgadas sobre a tecnologia.

A tecnologia também possui proteção de propriedade intelectual. A patente permanece sob titularidade da UFC e de seus cotitulares, enquanto a BIOTEC atua mediante licença para produção e comercialização do produto.

Reaproveitamento de resíduos da piscicultura

Além do potencial na área da saúde, o projeto chama atenção pelo aproveitamento de um material que normalmente seria descartado durante o processamento da tilápia.

A iniciativa cria uma nova possibilidade de utilização para a pele do peixe e aproxima as cadeias de piscicultura, pesquisa científica, indústria farmacêutica e biotecnologia.

Inovação desenvolvida no Ceará

O projeto conta com participação de instituições como o Instituto José Frota, o Instituto de Apoio ao Queimado, o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, a Secretaria do Desenvolvimento Econômico e a Agência de Desenvolvimento do Ceará.

Com a implantação da fábrica, o Ceará busca transformar uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros em uma atividade industrial capaz de gerar empregos, movimentar a economia e criar um produto com potencial de exportação.

Fonte: Aliados Brasil
https://www.aliadosbrasiloficial.com.br/noticia/ceara-tera-a-primeira-fabrica-de-curativos-de-pele-de-tilapia-do-brasil

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